Exposições , filmes, teatro e dança

23/10/2011
17º Festival Internacional de Arte Contemporânea


Siga o link abaixo e assista a provocação para ir apreciar as exposições que compõe o festival.


http://vimeo.com/29780354




Arte Contemporânea também é música
Ler a matéria da revista São Paulo do jornal Folha de São Paulo, e postar um comentário crítico sobre a música contemporânea. 
28/08/2011 - 09h00

Criolo expande os limites do rap e conhece o amor de SP

VIVIAN WHITEMAN
DE SÃO PAULO

Sábado 13 em São Paulo, fila na rua Augusta, sentido Jardins, beirando a madrugada. O destino é a galeria América, antigo "point" clubber nos anos 1990 e atual sede do clube Hole, reduto de alguns dos melhores shows e festas de rap da cidade.
Na pista, sons clássicos de Sabotage e Racionais se conjuminam com sucessos de Emicida, Rael da Rima e Kamau. Ninguém parado, o baile esquenta. A festa é boa, mas o balanço é só preparação: todos estão à espera de Criolo, que vai se apresentar ao vivo em algumas horas.
Kleber Gomes está almoçando no escritório de sua assessoria de imprensa, em Pinheiros. Desde que lançou seu segundo disco, "Nó na Orelha", e viu seu nome artístico, Criolo, ganhar o mundo, o cantor, compositor e rapper passa bastante tempo por lá.
São muitos os compromissos. Ele acompanha os últimos detalhes do lançamento de seu primeiro clipe oficial, da faixa "Subirusdoistiozin" (subiram dois tiozinhos, quer dizer, morreram dois homens), acabou de gravar o programa "Ensaio", da TV Cultura, e participou de um grande show em homenagem a Itamar Assumpção. Isso sem contar os programas de TV e os pedidos de entrevista, que já não dá conta de responder.
Robert Sparke/Folhapress
O músico Criolo na represa Billings, em ensaio para a revista *Serafina*
O músico Criolo na represa Billings, em ensaio para a revista Serafina
Caetano
O evento mais esperado, porém, é o próximo Video Music Brasil, festa de premiação da MTV, que rola em outubro. Criolo vai dividir o palco com Caetano Veloso.
Cantarão sua música mais famosa, "Não Existe Amor em SP", que virou tema, slogan e espécie de hino poético-melancólico sobre a solidão na capital paulista.
"É uma grande canção. 'Sampa' é sobre Sampa. 'Não Existe Amor', como 'Ronda', do [Paulo] Vanzolini, é Sampa. Não é só porque são canções feitas por paulistas, é que são as palavras e os sons vindo de dentro. Paulistas também podem escrever 'Sampas', mas quase ninguém pode escrever coisas como 'Ronda' ou 'Não Existe Amor'", analisa Caetano. E completa: "No mais, Criolo, doido ou não, é grande em todos os outros momentos do CD. E desde antes."
A ideia da parceria partiu de Caetano, em conjunto com a MTV. "Ele gravou um programa para a emissora e, numa conversa, surgiu o nome do Criolo. Caetano disse que o conhecia e gostava do trabalho dele, e daí veio a primeira faísca", conta Zico Góes, diretor de programação da MTV. "Ambos têm algo em comum além da música, essa coisa de cantar como quem tem uma missão", afirma.
"Ele é um gênio da música mundial. É uma honra saber que olhou para o meu trabalho. Custo a acreditar que isso está acontecendo comigo", diz Criolo sobre Caetano.
Pensa um pouco e continua. "Recentemente, subi ao palco com GOG, Dexter e Edy Rock. Foi outra grande honra. Tenho sido abençoado", afirma, falando de seus encontros com grandes nome do rap, o último deles, integrante do Racionais.
Com 35 anos, 23 deles dedicados ao rap, Criolo vê sua carreira decolar sem tirar os pés do chão. "Meus amigos dizem que chegou a hora da colheita. Eu digo que é a hora de espalhar as sementes", analisa, sentado no sofá, e faz um gesto de quem está abrindo uma janela em cima da cabeça.
"O Criolo quer colar, pra somar" -- na frente do clube Holle, o moço de camisa polo e boné repete a rima de "Lion Man" (o título faz referência a um seriado dos anos 1970 sobre um samurai que virava homem-leão para defender a justiça no Japão feudal).
A faixa é um dos hits de "Nó na Orelha", álbum lançado neste ano e apontado como pioneiro por misturar o rap a ritmos como reggae, bolero e samba.
Produzido pela dupla estrelada Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, o disco costura habilmente um painel de recortes sonoros. A voz charmosa e a poesia de Criolo, fruto de sua história e de seu espírito conciliador, é o rejunte dessa colagem. "Não importa o ritmo, sou sempre eu, minha verdade."
Criolo tem apresentado dois formatos de show. Uma versão tem banda poderosa, com nomes como o violonista revelação Kiko Dinucci, além de bateria, piano, baixo, metais e duas backing vocals. A outra aposta na formação clássica do hip-hop: DJ e MC.
O público fiel do rap tem assim a chance de ver um show com estrutura caprichada, enquanto os novos fãs, que acabam de conhecer o universo dos rimadores, podem sentir a pancada de ouvir um rapper disparar suas letras apoiado só pelas batidas e pelo coro de aliados.
São duas da manhã quando Criolo chega ao clube, acompanhado de Ganjaman e de seu companheiro de palco e de rua, DJ Dan Dan.
Esse será um show sem a banda. O grupo atravessa a porta de entrada e passa a ser acompanhado por várias pessoas. Abraços, agradecimentos. Criolo se concentra como um lutador prestes a entrar na arena. Mais de mil pessoas o esperam.
Solteiro, filho de mãe professora e pai metalúrgico, Kleber virou Criolo no rap. Com Dan Dan, criou a Rinha dos MC's, o maior "campeonato" de rimadores do país, que revelou nomes como Emicida.
Por volta dos 12 anos, escreveu sua primeira letra e "maravilhado" mostrou-a para o irmão mais velho, Clayton, que aprovou. Aos 13 já se apresentava. Durante muitos anos, os palcos eram quadras de escola, ruas e igrejas.
O combustível para as rimas vinha das ruas, do cotidiano e de pessoas como dona Conceição. Era sua professora de história no colegial (atual ensino médio), época em que dividia a sala de aula com a sua mãe, Maria Vilani, que, por incentivo do filho, havia decidido voltar a estudar. Os dois se formaram juntos.
Educadora que criou três meninos e duas meninas enquanto cursava faculdade de filosofia, poeta que escreve sob o pseudônimo de Vitória Régia e organizadora de um sarau e encontro filosófico que é motivo de orgulho no Grajaú, Maria é o xodó do filho.
"Tudo o que eu disser de bom sobre minha mãe será pouco", derrama-se. No caderno que leva na mochila, segundo um passarinho verde, tem uma nova letra em homenagem a ela.
CRI-O-LO
Robert Sparke/Folhapress
O músico Criolo, em ensaio feito em estúdio para Serafina
O músico Criolo, em ensaio feito em estúdio para Serafina
Quase três da manhã, o show começa. O teto pinga. O calor é de rachar. Nos microfones, Criolo e Dan Dan. Nos pick-ups, DJ Will.
Criolo vira um "monstrão" no palco. Aponta os braços na direção do público como se eles o ajudassem a disparar as rimas. Ninguém olha pro lado e o conjunto de vozes parece empurrar as paredes. "Eu vou levar esse dia pro resto da minha vida", ele grita.
No repertório, algumas faixas de "Nó na Orelha" e outras do ótimo "Ainda Há Tempo", disco de 2006 que foi redescoberto graças ao recente sucesso de Criolo.
O rapper discursa, dá conselhos sobre "correr" pelo que é certo e aceitar as coisas boas e honestas que a vida pode oferecer.
Emocionado, Criolo chora, amparado por Dan Dan. A multidão declama a versão que ele fez para a canção "Cálice", de Chico Buarque ("A ditadura segue meu amigo Milton, a repressão segue meu amigo Chico, me chamam Criolo, o meu berço é o rap, mas não existe fronteira pra minha poesia").
O público extasiado repete "Cri-o-lo, Cri-o-lo". Quando o show termina ainda tem gente chorando, outros saem calados, satisfeitos.
Dois garotões sobem as escadas do clube em direção à rua: "Aí, mano, não falei que valia a pena?". O outro, lavado de suor e atônito, faz que sim com a cabeça.
Envolvido com diversos projetos sociais e ambientais, para muitos jovens Criolo é professor, daqueles que cativam pela sinceridade. O respeito pelos alunos, ele aprendeu quando ensinava educação artística na rede pública.
Não seguiu a carreira, "uma missão de construção humana, que deveria ser mais valorizada na prática", talvez porque já tivesse abraçado outro trabalho revolucionário. O rap, sempre o rap.
"O rap é mais do que música, é um movimento de reconhecer e ser reconhecido, é a sensação de pertencer a algo maior, coletivo. É um irmão mais velho, aquele que te fortalece, é levar amor às pessoas", define.
Homem sério, dono de um carisma encantador e de uma gentileza sem afetação, Criolo comemora a agenda de shows lotada, mas segue no seu ritmo, só no sapatinho. "O ego é uma coisa poderosa, capaz de destruir uma pessoa. Sigo os conselhos da minha mãe, mantenho os pés no chão."
*
"Não Existe Amor em SP"
(letras e música: Criolo)
Não existe amor em SP
Um labirinto místico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever
Numa linda frase
De um postal tão doce
Cuidado com doce
São Paulo é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você
Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu
Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro tuas nuvens em cada escombro, em cada esquina
Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver Deus


              

8 comentários:

  1. Criolo

    A reportagem do criolo é legal,por que mostra uma pessoa que vei de baixo e atualmente está fazendo muito sucesso.
    O sucesso é tanto que acabou chamando a atenção de Caetano veloso com quem Criolo fara uma "dupla".
    Outra coisa interessante é "Lion Man" q um samurai que virava homem-leão para defender a justiça no Japão feudal).
    A faixa é um dos hits de "Nó na Orelha", álbum lançado neste ano e apontado como pioneiro por misturar o rap a ritmos como reggae, bolero e samba.
    Mais com todo o sucesso ele prefere manter os pés no chão.

    Lucca

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  2. Música do Criolo

    A música do criolo pricipalmente a Não existe amor em SP,é é uma musica "das ruas" é uma música do povão,e a música dele é uma critica as coisas do cotidiano.è uma crítica Social.
    A música dele não me agrada muito,pois não gosto do ritmo,prefiro outros.

    Lucca

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  3. Criolo é a representação que a arte nao tem diferenças; Com o seu trabalho conseguiu estar hoje entre os grandes nomes!

    Léo Victor

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  4. Nunca tinha ouvido nenhuma musica desse Criolo,mas até que a letra é legal.(:

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  5. Nossa Claudia, eu nunca tinha ouvido falar desse Criolo ai nao! Mas também, não sou muito fã de rap..não é muito a minha praia..mas parece ser emocionante o show dele..ate deu vontade de ir! as musicas são legaizinhas tambem, apesar de nao fazerem muito meu estilo hahaha

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  6. De verdade,eu não entendi nada,são tantos nomes,mas eu li professora.Eu só entendi que esses videos artes não passam na tv,só em museus de arte.

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  7. Esse festival da arte contemporânea tem tudo a ver com o que sofremos no dia-a-dia. Nós consideramos rotina como algo chato porque sempre queremos férias, viajar, ter um dia diferente...Na minha opinião a gente deveria sim ter uma rotina pra planejar melhor, mas uma rotina com dias de atividades diferenciadas.

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